quarta-feira, 2 de novembro de 2011

De volta ao passado


Novamente ele se viu ali onde tudo havia começado. Sentiu a mesma sensação de êxtase tomar seu corpo, era como se vivenciasse tudo outra vez.
Sentiu uma brisa fria cortar seu rosto, respirou fundo e um sorriso bobo brotou em sua face. E por alguns instantes ficou ali, parado, olhando tudo ao seu redor.
Olhou para o relógio, já passava da meia noite, teve vontade de ficar ali revivendo todo outra vez, mas não podia. A realidade o chamava. Uma garoa fina o atinge, ele sai caminhando com um andar lento, as vistas embaçada e o coração despedaçado. Bem diferente que quando estivera lá com ela, na noite do primeiro beijo, onde tudo deixou de existir e tudo passou a existir.
Porem não restava mais nada a fazer a não ser continuar sua caminhada, mas dentro dele sempre carregaria a certeza de que naquele locar e em uma noite como aquela ele foi plenamente feliz...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Dia Chuvoso


Hoje o dia teima em não amanhecer
Nuvens densas cobrem o céu
Uma forte chuva cai
E teima em não deixar o sol nascer
Meus pensamentos voam
Enquanto ainda estou deitado
Ouço apenas o som da chuva
Ao cair no meu telhado
Essa doce melodia
Que lembra que a vida me aguarda
Do outro lado da porta
Um mundo em movimento ali está
Mas em dia de chuva
Tudo se move devagar
Menos a água
Esta está sempre a correr
Assim como a água dos meus olhos
Que teima em sempre escorrer
Tudo passa lentamente
Em uma cadencia mórbida
Ainda dentado em minha cama
Lembro-me que a vida chama
E eu tenho que levantar
Olho o mundo lá fora
Tudo em tom cinza está
Assim como em um filme de Charplin
Que a tecnologia não veio retocar.
Volto a minha realidade
Onde o caos de um dia me aguarda
Onde a chuva vira enxurrada
E leva tudo por onde passa
Mas nada posso fazer
A não ser de vez acordar
E a realidade do meu dia chuvoso
Tenho que novamente enfrentar.

domingo, 16 de outubro de 2011

Dor


Ainda ouço o som da minha respiração
Meu coração mesmo dilacerado teima em bater
A brisa quente do verão toca meu rosto
Mas não quero acordar
Meus olhos já não suportam a claridade
Quero a escuridão da noite e o frio do inverno
Que ele adormeça meu corpo
E congele meu coração
Para que eu possa ficar ali
Apenas parado
Esperando que o tempo cure as minhas dores
Que as lembranças abandonem a minha mente
E eu possa novamente me levantar
E a minha longa caminhada retomar
Mas eu ainda estou aqui
Deitado com todo o meu pesar
Esperando que a dor passe
Ou que a morte venha me buscar.

Libertação


Enfim meus olhos se fecham
Para nunca mais se abrirem
Resta agora meu corpo gelado
Esperando para que os vermes
Venha devorá-lo
Enfim chegastes a mim
Oh adorável dama noturna
Destes-me o beijo que tanto almejei
Um beijo mortal da única dama que amei
Enfim não preciso mais ver o sol
Não preciso mais sorri
Não preciso mais me alegrar
Não preciso mais amar
Deliciem-se com meu cadáver
Adoráveis vermes
Acabem com o ultimo vestígio de vida
Que ainda resta em mim
Deixem apenas meus ossos
Para mostrar ao mundo
Que um dia eu existi
Uma existência plena e inútil
Em um mundo maravilhoso
Porem imundo
Enfim me libertei dessa prisão
Resta agora minha pobre alma a vagar
No silencio sem fim
Na escuridão mortal

domingo, 25 de setembro de 2011

Crônicas de um poeta


Eu sou uma fraude
Não escrevo nada de bom
Mas ainda sim escrevo
Invento uma realidade
Crio meu mundo
Vivo meus sonhos
Vôo, nado, faço o que quero
Sou rei, mendigo, sou o que eu quiser.
Pois nas coisas que escrevo
Serei imortal
Ainda que uma imortalidade inútil
Mas ainda sim imortal
Escrever...
Banalidade, sonho, fantasia
Tudo em um único universo
O universo do tolo poeta
Que sonha com um mundo
Passa-o pra um papel
E acha interessante
Muito interessante
Viver em um mundo de delírio
Onde não de distingue
Sonho realidade e desejo
Tudo vira uma só coisa
Eis que de repente o inesperado acontece
Seus delírios transpostos em palavras
Tornam-se versos, seus versos poemas.
E todos te aplaudem
E o poeta tomado pelo êxtase
Escreve novamente
Ah vida louca essa
Onde todos os meus delírios e sonhos
Tornam-se delírios e sonhos de outras pessoas
Será que somos todos iguais.
Não o poeta não é igual
Ele da sua cara a tapa
Ele joga seus sonhos ao mundo
Interessantes ou não
Deixa os outros sonharem com ele
Se emocionar com ele
É um se corajoso
Que se expõe, pronto para ser aplaudido
Oi vaiado, pois a vida tem dois lados
E ainda sim escrevo
Escrevo porque gosto
Exponho a todos o que sou
O que sinto, o que sonho
Sou a mais sabia das criaturas
Pois todos lembraram de mim em meus versos
Como o sentimental, o poeta, ou apenas o louco
Mas ainda sim escrevo
E você ainda lê minhas loucuras
Mundo louco esse né?
Mas vou escrevendo
Expondo meus sentimentos
Transformando sonhos em palavras
Sentimentos e emoções em versos
Pois um poeta é assim
Um eterno louco com seus delírios
Onde a imaginação o leva ao infinito
E ele vive a sonhar apenas a sonhar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Uma morte para mim


Mais uma vez estou aqui
Nessa manhã cinzenta
Renascendo para um novo dia
Revivendo para uma nova tortura
Que dilacera minha alma
Consome meu corpo
Corrompe todo meu viver
Ah dia amargo e cruel
Porque teima em nascer?
Porque teima em me mostrar sua cara?
Teima em minha vida fazer morada?
Oh vida louca vadia
Porque em mim faz moradia?
Vai-te de mim de uma vez
Livra-me de toda essa angustia
Mostro – te agora que sou fraco
Que não demonstro reação diante de ti
Leve-me para onde quiser
De preferência rumo a morte
Pois é ela que eu almejo
É ela que desejo
Desejo me livrar
Desse dia a me chamar
E na noite escura eternamente morar
Pois lá é o meu lugar
é onde eu quero ficar
Longe da vida doce
E de todas as manhãs cinzentas
Quero morrer simplesmente morrer
E dessa vida torturosa desaparecer

sábado, 13 de agosto de 2011

Espera

O frio toma conta da minha alma
O mundo já não tem cor
Sinto-me envolvido por uma névoa
Não enxergo nada ao meu redor
Tudo vai perdendo a forma
Meus sentidos vão se desfazendo
Vou me transportando
Para um mundo cada vez mais escuro
Tento escapar, mas não consigo
Pois a minha força
Já não responde as minhas vontades
Na verdade não sei se ainda tenho vontades
Pois tudo perdeu o sentido
E por mais que eu tente
Não acho um motivo para me levantar
Enquanto estou envolto nessa nevoa
Vejo todo o filme da minha vida
Passar diante dos meus olhos
Mas não consigo ouvir os sons,
Sentir os cheiros, os aconchego dos abraços
E nem enxergar os brilhos nos olhos
Pois todas as imagens
Vão passando em minha mente
Como um filme antigo
Deteriorado pelo tempo
Me entrego a este estado de inércia
Olhando apenas para o vazio
Esperando apenas que o mundo acabe
Mas não para todo mundo
Apenas para mim...